Tuesday, August 05, 2014

05/V – PASÁRGADA

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Welington Almeida Pinto

 

Sentados num banco da Praça da Liberdade, Karina olha com mais intimidade para o rapaz que conheceu minutos antes:

  - Pelo jeito é um frequentador assíduo dessa praça?

   - Toda vez que posso, venho para cá. Depois do expediente, claro. Trabalho aqui perto.

  - Bacana, cara.

- É a mais bela praça de Belo Horizonte, pode crer.

- Sem dúvida, um visual de encher os olhos.

Pausa. Luís Antônio:

-  E você, Karina, vem sempre aqui?

- A segunda vez.

O rapaz sorri. E conta:

- Gosto de um banco sombreado de uma praça como essa, onde pratico meu SPA mental. Nele a gente pode sentar, apreciar a natureza e as pessoas passeando, não é mesmo?

A moça curiosa:

- Chega sempre assim, de terno e gravata?

- De segunda à sexta-feira, sim. Fins de semana, eu troco o terno por calças jeans e camisa polo. Flexibilidade é a pedida – revela Luís, com um risinho satisfeito nas faces.

- Também adoro jeans.

 - Mais um acerto do Tio San no guarda-roupa da juventude do planeta, não é mesmo?

- Maravilha.

- Liberdade, principalmente, para arrumar uma namorada.

- Acha?

Luís Antônio, depois de um suspiro demorado:

- Você deve ficar uma gata de calças jeans, camiseta branca e rabo-de-cavalo...

- Por que diz isso?

- Olho clínico. Pode crer, o azul do jeans vai acentuar o encanto da sua feminilidade.

Risos. Karina olhando nos olhos do rapaz:

- Uai, tem aí uma bola de cristal?

- Duas. E uma lanterna mágica.

- Olha, só!

Luís toma uma mão da jovem e acaricia. Ela fecha os olhos e sonha com um risinho meigo no rosto - notava-se grande animação em suas faces, envolvidas por uma sensualidade descontraída.

O moço abre mais o sorriso e fica de pé, inclina-se para a frente e diz:

- Você é tudo que sonhei! Vamos?

De súbito, a moça salta-lhe sobre as costas, rindo às gargalhadas. O rapaz levanta os dois braços, mira no horizonte e sai a galope pelas alamedas da Praça da Liberdade a caminho de Pasárgada, ao encontro de Bandeira no seu paraíso particular, onde é amigo do Rei.

A moça, cavalgando no dorso de Luís Antônio, entrelaça o peito do mancebo com os braços e admira suas pernas na tensão máxima de todas as forças de um atleta engravatado, galopando e, ao mesmo tempo, declamando o poema Adalgisa, de Drummond, que aprendera com a mãe ainda garoto.

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