Welington Almeida
Pinto
Sentados num banco da Praça da
Liberdade, Karina olha com mais intimidade para o rapaz que conheceu minutos
antes:
- Pelo jeito é um frequentador
assíduo dessa praça?
- Toda vez que
posso, venho para cá. Depois do expediente, claro. Trabalho aqui perto.
- Bacana, cara.
- É a mais bela praça de Belo
Horizonte, pode crer.
- Sem dúvida, um visual de encher os
olhos.
Pausa. Luís Antônio:
-
E você, Karina, vem sempre aqui?
- A segunda vez.
O rapaz sorri. E conta:
- Gosto de um banco sombreado de
uma praça como essa, onde pratico meu SPA mental. Nele a gente pode sentar,
apreciar a natureza e as pessoas passeando, não é mesmo?
A moça curiosa:
- Chega sempre assim,
de terno e gravata?
- De segunda à sexta-feira, sim. Fins
de semana, eu troco o terno por calças jeans
e camisa polo. Flexibilidade é a pedida – revela Luís, com um risinho
satisfeito nas faces.
- Também adoro jeans.
- Mais um acerto do Tio San no
guarda-roupa da juventude do planeta, não é mesmo?
- Maravilha.
- Liberdade, principalmente, para
arrumar uma namorada.
- Acha?
Luís Antônio, depois de um suspiro
demorado:
- Você deve ficar uma gata de calças jeans, camiseta branca e rabo-de-cavalo...
- Por que diz isso?
- Olho clínico. Pode crer, o azul do jeans vai acentuar o encanto da sua
feminilidade.
Risos. Karina olhando nos olhos do
rapaz:
- Uai, tem aí uma bola de cristal?
- Duas. E uma lanterna mágica.
- Olha, só!
Luís toma uma mão da jovem e
acaricia. Ela fecha os olhos e sonha com um risinho meigo no rosto - notava-se
grande animação em suas faces, envolvidas por uma sensualidade descontraída.
O moço abre mais o sorriso e fica de
pé, inclina-se para a frente e diz:
- Você é tudo que sonhei! Vamos?
De súbito, a moça salta-lhe sobre as
costas, rindo às gargalhadas. O rapaz levanta os dois braços, mira no horizonte
e sai a galope pelas alamedas da Praça da Liberdade a caminho de Pasárgada, ao
encontro de Bandeira no seu paraíso particular, onde é amigo do Rei.
A moça, cavalgando no dorso de Luís
Antônio, entrelaça o peito do mancebo com os braços e admira suas pernas na
tensão máxima de todas as forças de um atleta engravatado, galopando e, ao
mesmo tempo, declamando o poema Adalgisa, de Drummond, que aprendera com a mãe
ainda garoto.
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